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FORMULÁRIO 01 (CONSÓRCIO UNB/UFA/ UFRR) PARA O FUNDO AMAZÔNIA -- BNDES

VERSÃO v3-FINAL-CONSOLIDADA (TAKWARA/TANIA)

Título do Projeto: Mãos que Tecem a Floresta: O Elo Feminino entre a Biodiversidade, a Bioarquitetura e a Nova Bioeconomia


1. Apresentação

A Amazônia é um dos principais sistemas reguladores do clima global e abriga uma sociobiodiversidade singular, sustentada por modos de vida, práticas produtivas e conhecimentos tradicionais que historicamente garantem a manutenção da floresta em pé. Diante do avanço de modelos econômicos predatórios e da intensificação das crises climáticas e sociais, torna-se estratégico afirmar, para a região, um horizonte de desenvolvimento baseado na (nova) bioeconomia: uma economia que transforma a biodiversidade e os saberes associados em valor local, combinando conservação, inovação, justiça social e regeneração territorial.

O projeto de pesquisa "Mãos que Tecem a Floresta" parte do reconhecimento de que as cadeias não madeireiras --- castanhas, açaí e artesanato --- constituem pilares da economia das florestas e são fortemente sustentadas pelo trabalho e pela inteligência coletiva das mulheres amazônicas. Ao mesmo tempo, essas cadeias geram insumos e resíduos agroextrativistas ainda subaproveitados (cascas, fibras, sementes, caroços, endocarpos, biomassas e subprodutos), que podem integrar rotas tecnológicas de baixo impacto e alto valor agregado.

Nesse contexto, a pesquisa propõe articular biodiversidade e inovação por meio da bioarquitetura --- entendida como o campo que aplica princípios bioclimáticos, materiais de base biológica e soluções construtivas adequadas ao território --- incorporando resíduos e coprodutos das cadeias de castanhas e açaí, bem como o bambu, como matéria-prima renovável e versátil. A bioarquitetura, aqui, não é apenas uma técnica construtiva: é uma estratégia de habitação sustentável, soberania material, saúde ambiental e melhoria concreta das condições de vida, conectando produção, moradia e conservação.


2. Justificativa

A justificativa central do projeto reside na urgência de fortalecer e sofisticar as cadeias produtivas da sociobiodiversidade sem reproduzir a lógica da "bioeconomia de commodities" (concentradora, padronizadora e dependente de grande escala). A nova bioeconomia demandada para a Amazônia deve ser diversa, territorializada e inclusiva: capaz de agregar valor no local, reduzir vulnerabilidades logísticas e comerciais, e criar alternativas econômicas compatíveis com a integridade dos ecossistemas.

Para enfrentar essas lacunas, o projeto se ancora na convergência entre Bioeconomia, Economia Solidária (EcoSol) e Tecnologia Social (TS) --- tríade que organiza a proposta como um arranjo coerente entre o que produzir, como transformar e para quem gerar benefícios:

  1. Bioeconomia (base material e ecológica): orienta o uso sustentável de recursos biológicos renováveis, preservando ciclos naturais e mantendo a floresta em pé. No projeto, ela inclui os produtos principais (castanhas, açaí, artesanatos) e a valorização sistêmica de coprodutos e resíduos [5.1: através da integração da Biorrefinaria de Bambu, que atua como unidade processadora central para a conversão de passivos de açaí e castanha em bio-ativos e componentes construtivos de alto valor, consolidando uma bioeconomia circular e de baixo desperdício.]

  2. Tecnologia Social (método de inovação apropriável): viabiliza melhorias concretas no beneficiamento, na segurança, na qualidade e na gestão, por meio de soluções de baixo custo e co-desenvolvidas. [5.1: Esta dimensão incorpora os ativos manuais e técnicos de bioconstrução e saneamento já validados por Takwara e Filemon, padronizando as infraestruturas produtivas e habitacionais com base no manejo de biomateriais e do bambu, promovendo autonomia técnica e soberania material.]

  3. Economia Solidária (governança e justiça): define a forma de organização do trabalho e da riqueza com autogestão, cooperação e repartição equitativa, protegendo o valor social do trabalho feminino e fortalecendo redes comunitárias.

Ao aproximar cadeias agroextrativistas da bioarquitetura, o projeto amplia o sentido de valor agregado: não apenas vender melhor, mas viver melhor no território. Resíduos antes descartados integram novas aplicações (materiais, acabamentos, soluções bioclimáticas), enquanto o bambu oferece alternativas renováveis para estruturas leves e sistemas construtivos compatíveis com a realidade amazônica.


3. Objetivos

Objetivo Geral

Fortalecer o protagonismo das mulheres e a sustentabilidade das cadeias produtivas de castanha, açaí e artesanato na Amazônia por meio da integração de saberes tradicionais, pesquisa aplicada e tecnologias sociais, impulsionando a bioeconomia e a conservação da floresta em pé e a habitação sustentável.

Objetivos Específicos

  1. Mapear e sistematizar os saberes e conhecimentos tradicionais das mulheres envolvidas nas cadeias de valor da castanha, açaí, artesanato e bioconstrução;
  2. Analisar e diagnosticar os gargalos e as vulnerabilidades socioeconômicas e logísticas das cadeias produtivas e espaciais selecionadas, com foco na otimização dos processos de beneficiamento;
  3. Implantar e validar uma plataforma integrada de saneamento ecológico, manejo ecológico de bambu Guadua spp., aproveitamento de resíduos agroextrativistas e bioindústrias comunitárias de baixo carbono na Amazônia Legal, convertendo passivos sanitários, florestais e de resíduos sólidos em ativos produtivos, climáticos e sociais, com centralidade em cooperativas de mulheres; [5.1: Esta meta será operacionalizada através da Plataforma 5.1, garantindo a integração dos protocolos de bioarquitetura e bio-soberania nacional.]
  4. Consolidar o Acre como estado de referência em manejo e industrialização ecológica de bambu e polo nacional de transferência de tecnologias limpas, em parceria com instituições científicas locais;
  5. Desenvolver e implementar soluções de Tecnologia Social que aprimorem o beneficiamento e a gestão (financeira, logística e de marketing) das cadeias;
  6. Capacitar as mulheres em gestão, economia solidária e uso de tecnologias, promovendo autonomia econômica e fortalecimento organizacional;
  7. Propor um modelo de governança participativa e de acesso a mercado que valorize o produto da sociobiodiversidade e garanta a justa remuneração às produtoras.

4. Estrutura do Projeto (Mestre 5.1)

O projeto é estruturado em um eixo técnico-operacional único, sob responsabilidade direta de Fabio Takwara (Tecnologia/Soberania) e da Profa. Tânia Cristina Cruz (UnB/CDT), integrando a Biorrefinaria, a Bioarquitetura e a Gestão de Ativos Digitais.


COMPONENTE ÚNICO: Bioarquitetura e Biorrefinaria Regenerativa

Descrição: Módulo de Bioconstrução que valida o bambu amazônico como “aço vegetal” e, articulado aos saberes femininos e à bioarquitetura com terra, desenvolve domos, painéis e sistemas construtivos regenerativos para habitação social, equipamentos comunitários e infraestrutura industrial 5.1.

Justificativa do Componente: O componente enfrenta três emergências na Amazônia: doenças por falta de saneamento, déficit de moradia digna e risco de incêndios em florestas de Guadua spp. Ao combinar manejo ecológico de bambu, biorrefinaria comunitária, saneamento ecológico em pesquisa-ação e sistemas construtivos regenerativos, converte passivos sanitários, florestais e de resíduos em habitação segura, infraestrutura comunitária e trabalho para mulheres em cadeias da bioeconomia.

Produtos e Serviços: 1. P1: Infraestrutura Sanitária e Habitacional: Implantação de protótipos de saneamento ecológico (BSM/BER), habitação de interesse social (HIS) e equipamentos em biocompósitos bambu-PU e bambu tratado ("bambu sem veneno"). 2. P2: Núcleo Industrial de Baixo Carbono: Implantação de Biorrefinaria (briquetes, biochar, carvão vegetal, extrato pirolenhoso) integrada a Unidades de Beneficiamento Primário (UBPs). 3. P3: Programa Domo Voador: Dispositivo itinerante de arquitetura, pedagogia e mobilização territorial para transferência de tecnologia social.

Atividades Necessárias: - At. 1.1: Diagnóstico participativo de moradia e saneamento nas comunidades-piloto. - At. 1.2: Manejo de Guadua spp. e operação da biorrefinaria industrial 5.1. - At. 1.3: Formação de "Mestras e Mestres Construtores" e brigadas de saneamento.

Metas Relacionadas: - 150 hectares sob manejo; 1 Biorrefinaria Operacional; 40-60 módulos BSM/BER instalados; 1.000–1.500 m² de bioarquitetura demonstrativa; 120 mulheres e jovens formados (60 bolsas).

Metas Relacionadas: - 150 hectares sob manejo; 1 Biorrefinaria Operacional; 40-60 módulos BSM/BER instalados; 1.000–1.500 m² de bioarquitetura demonstrativa; 120 mulheres e jovens formados (60 bolsas).


ANEXO I: SALVAGUARDAS DE CANCUN [5.1: Redação integral sugerida para alinhamento Fundo Amazônia]

  1. Objetivos Florestais: O projeto alinha-se ao PPCDAm ao promover a economia da floresta em pé, substituindo o extrativismo predatório por uma bioeconomia de valor agregado sustentada pela bioarquitetura e uso do bambu.
  2. Governança: Utilização do Sistema de Governança 5.1, que prevê auditoria independente e transparência total via Plataforma Digital, assegurando o monitoramento em tempo real dos ativos florestais.
  3. Direitos e Conhecimentos: O projeto fundamenta-se na coautoria com as comunidades de mulheres, protegendo a propriedade intelectual coletiva sobre os saberes tradicionais agroextrativistas.
  4. Participação: Garantida através dos conselhos gestores das cooperativas e da integração síncrona com os núcleos de Roraima, Acre e Brasília. Deve-se assegurar a concordância prévia de todos os parceiros e comunidades envolvidas.
  5. Conservação: As rotas tecnológicas (Biorrefinaria) são projetadas para impacto zero, utilizando passivos agrícolas (fibra/resíduo) como matéria-prima, evitando qualquer nova conversão de áreas naturais.
  6. Reversões: Estratégia de mitigação baseada no fortalecimento da economia solidária; a valorização do ativo em pé torna a conservação mais rentável que a reversão para pastagens.
  7. Deslocamento: O monitoramento georreferenciado via Plataforma 5.1 previne o deslocamento de emissões, assegurando a integridade climática territorial.

ANEXO II: CRITÉRIOS TRANSVERSAIS

  1. Redução da Pobreza: O projeto contribuirá para a redução da pobreza e inclusão social ao criar alternativas dignas de trabalho e renda baseadas na sustentabilidade ambiental (bioeconomia circular).
  2. Equidade de Gênero: O projeto integra questões de gênero em todas as suas estratégias, colocando as mulheres como pesquisadoras e gestoras do território, promovendo igualdade de oportunidades e autonomia econômica.

RESUMO ORÇAMENTÁRIO CONSOLIDADO (48 MESES)

  • DOTAÇÃO INTEGRAL (Mestre 5.1): R$ 25.380.957,00
  • ORÇAMENTO TOTAL (ESTE DOSSIÊ): R$ 25.380.957,00
  • Fundo Amazônia (Aporte solicitado): R$ 22.842.861,30 (estimativa após descontar contrapartida mínima)